sábado, maio 28, 2005


Porcos iluminam 140 lares

Acender a luz em casa é um acto tão banal nos Açores como em qualquer outra parte do país. Mas a origem da energia que chega a alguns dos lares do arquipélago é original, pelo menos para Portugal, pois é o resultado da produção de biogás através do tratamento de resíduos, a maioria dos quais provenientes da maior suinicultura portuguesa, localizada na ilha de São Miguel.Num país em que a poluição gerada pelas suiniculturas é um problema grave, a solução posta em prática pela Agraçor, do grupo Nicolau Sousa Lima (NSL), é o exemplo de um casamento de sucesso entre interesses ambientais e económicos.
O grupo açoriano está presente em várias áreas de negócio, entre as quais a exploração suinícola, que tem um efectivo correspondente a 18 mil porcos. Em média, cada animal polui o equivalente a seis pessoas, o que corresponde à poluição gerada por 108 mil pessoas, excedendo largamente a população do concelho de Ponta Delgada, que em 2001 atingia os 65.718 habitantes.O projecto arrancou em 1987 com uma primeira instalação de biogás, que em 2004 foi substituída por uma mais avançada. Asuinicultura já é auto-suficiente em termos energéticos, absorvendo dois terços da energia produzida.
O resto é injectado na rede eléctrica e comercializado pela Electricidade dos Açores (EDA), representando a energia consumida por entre 120 a 140 lares da região autónoma.O sistema recicla não só os resíduos da exploração suinícola como também outros que a empresa recolhe no exterior, nomeadamente restos de peixe, esterco de galinhas poedeiras e óleos. Está ainda longe da sua capacidade máxima, pelo que a Agraçor admite estabelecer parcerias com a restauração e com os distribuidores, para aumentar a matéria-prima que transfroma em energia. Mas é no matadouro da ilha que residem as suas maiores esperanças, assim que seja possível fazer uma separação eficaz ao nível dos subprodutos, garantindo que os de risco não entram no sistema. A parte sólida dos resíduos é transformada em fertilizante, que depois é posto à venda.
A Agraçor, que já investiu mais de €3 milhões - dos quais €640 mil de fundos comunitários - gostaria que a produção de biogás se estendesse ao continente, nomeadamente às zonas de Leiria e Montijo, onde este tipo de poluição é comum. Está disponível para parcerias - de «know how» e capital. Aliás, decorre hoje um congresso em Faro em que o exemplo da Agraçor, que recorre à tecnologia da empresa dinamarquesa Bioscan, vai ser debatido.
Por outro lado, pretende mais incentivos a estes sistemas de tratamento, ou através do aumento da percentagem de financiamento ou por via de um prémio de cumprimento de objectivos superior ao actual. As tarifas que a EDA lhe paga são iguais às aplicadas às outras energias renováveis, nas quais a própria EDA está envolvida, mas a legislação a nível nacional, recentemente aprovada, é penalizadora para o biogás, segundo acusa a Quercus.
associação ambientalista considera inadmissível a hipótese de o tratamento dos efluentes suinícolas ser feito através da queima de gás natural no âmbito do concurso aberto pela Recilis (empresa que tem como objectivo despoluir as bacias hidrográficas da zona de Leiria), por tal solução contribuir para o aquecimento global.A solução da Agraçor agrada à associação, que pretende promover inclusivamente uma visita guiada de suinicultores do continente para lhes apresentar o projecto.

5 Comments:

At 5:12 da tarde, Anonymous Anónimo said...

É tudo muito bonito, e o cheiro nauseabundo provocado por esta exploração, cheiro que afecta o bem estar da população?

 
At 6:45 da tarde, Anonymous Anónimo said...

O cheiro é proveniente justamente do biogás,que é queimado para a geração de energia.Os biodigestores são estruturas fechadas para a captação desse gás,logo o odor é minimizado.O liquido obtido no final do processo pode ser usado como fertilizante,sendo que o mesmo não produz mais biogás e tem seu odor bastante reduzido.

 
At 6:46 da tarde, Anonymous Anónimo said...

O cheiro é proveniente justamente do biogás,que é queimado para a geração de energia.Os biodigestores são estruturas fechadas para a captação desse gás,logo o odor é minimizado.O liquido obtido no final do processo pode ser usado como fertilizante,sendo que o mesmo não produz mais biogás e tem seu odor bastante reduzido.

 
At 6:47 da tarde, Anonymous Anónimo said...

O cheiro é proveniente justamente do biogás,que é queimado para a geração de energia.Os biodigestores são estruturas fechadas para a captação desse gás,logo o odor é minimizado.O liquido obtido no final do processo pode ser usado como fertilizante,sendo que o mesmo não produz mais biogás e tem seu odor bastante reduzido.

 
At 1:43 da tarde, Blogger barbosa said...

pertenço a um grupo de estudantes da universidade do minho e estamos a eleborar um projecto de fabrico de biogás. gostaria que nos dessem informações acerca da venda do fertilizante

 

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